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12/11/2021

Tradição e história dos quilombolas, pela griô D. Diva

Na sexta-feira, 12 de novembro, os alunos dos 3ºs anos conversaram com a senhora Divanilde Aparecida de Paula, mas conhecida como D. Diva, uma das poucas griôs que existem em Rio Claro.

A presença de D. Diva complementa as atividades do “Projeto Município” das disciplinas de História e Geografia, sobre as comunidades tradicionais brasileiras, entre elas os quilombolas. Uma característica desses povos são contadores de história, chamados de griôs, que mantêm viva as tradições de suas comunidades.

D. Diva, neta de escravos,  faz parte do Conselho Municipal da Comunidade Negra, já participou de muitas lutas do povo negro aqui e na região, em especial das mulheres negras que lutam e militam pelos seus direitos, valorização da sua cultura e ancestralidade.

Entre muitas de suas histórias, a tristeza e a crueldade aparecem. D. Diva comentou que em nossa cidade havia tráfico de crianças negras e, por conta disso, as mães escravas pararam de ter filhos (propositalmente)... Foram alguns anos sem o nascimento de crianças negras. Elas só voltaram a engravidar quando a lei do ventre livre vigorou. Ela contou que sua avó enlouqueceu pois teve o filho levado quando era bem pequeno. Disse que os donos de fazenda presenteavam os amigos ricos com crianças negras.

Mas a esperança também tem vez … D. Diva contou que os escravos pegavam grãos para comer escondidos, então escondiam onde conseguiam: no cabelo, nas roupas, etc. Uma vez uma pessoa escondeu grãos de pipoca embaixo da areia do terreiro e o sol estava tão forte que o grão virou pipoca. Eles acharam incrível um grão dar uma flor tão rápido e tão gostosa! Então sempre queriam pegar aquele grão especial para esconder na areia e ver a flor branca mágica aparecer. Até hoje, na tradição afro-brasileira a pipoca é um símbolo de "Tudo de mais lindo e especial", nas palavras de D. Diva.

A visita da dona Diva, além de ajudar com a pesquisa proposta no material Anglo, despertou nos alunos o interesse e a afetividade pela história dos africanos no Brasil.