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13/05/2022

Professora Marília Navarqui, uma educadora conectada

Marília Navarqui, professora de Língua Portuguesa e Projeto de Vida em nosso colégio, é vista como educadora conectada aos olhos do Plenarinho - programa de relacionamento da Câmara dos Deputados com a comunidade, voltado para crianças de 7 a 14 anos, pais e professores.

Projetos como o Fofoca literária e o Painel investigativo, que buscam despertar o interesse pela leitura a partir de brincadeiras, romperam os muros da sala de aula e se espalharam pelo Brasil, por meio das redes sociais. E não foram só esses: temas como racismo e bullying não ficaram de fora, já que a professora fez parte do projeto Missão Pedagógica no Parlamento, da Câmara Mirim, em atividade em torno da empatia.

Leia a reportagem na íntegra:

Conexão. Essa é a palavra que move a educadora Marilia Navarqui. Quando estudante, essa paulista de Taquaritinga se encantava com professores que dominavam conteúdos e inspiravam alunos. Anos mais tarde, já na graduação de Letras, foi a vez de ela encantar seus colegas ao apresentar um trabalho. E foi ali que decidiu seu rumo profissional.

 “Fiz uma análise dos aspectos pós-modernos na letra de Índios, do Legião Urbana. Quando vi que todos olhavam atentos ao que eu falava, percebi que o que acontecia ali era muito potente, que a docência tinha um poder de conexão enorme e que era isso que eu queria fazer: me conectar com as pessoas. Mais do que isso: fazer pontes para que elas se conectassem com elas mesmas”, relembra.

 Outras experiências vividas ao longo do curso só confirmavam que Marília tinha encontrado seu caminho. Atualmente, ela leciona no Claretiano Colégio de Rio Claro (SP) para turmas dos ensinos fundamental e médio. Sempre conectada aos jovens, ela usa e abusa da criatividade, empatia e bom humor para trabalhar os mais diversos conteúdos. Os projetos Fofoca literária e o Painel investigativo, por exemplo, buscam despertar o interesse pela leitura a partir de brincadeiras em sala de aula e nas redes sociais. Foi assim que obras como Dom Casmurro (Machado de Assis) e O Escaravelho do Diabo (Lúcia Machado de Almeida) entraram no radar da garotada.

Empatia e cumplicidade

Temas complexos e urgentes, como racismo e bullying, não ficam de fora. Como parte do projeto Missão Pedagógica no Parlamento (ela participou do Missão por ter sido selecionada para o Câmara Mirim), a educadora desenvolveu uma atividade em torno da empatia. “Pedi para os alunos escreverem, de maneira anônima, algo que os deixasse magoados, no âmbito escolar ou em casa. Eles se colocaram no lugar do amigo, foi uma troca muito bacana. Sabe quando fica um clima de que está todo mundo junto, do mesmo lado?”, comemora Marilia. Segundo ela, as relações da turma mudaram bastante depois da atividade, que vem sendo replicada em outros grupos.

Ficar longe dos alunos foi o maior desafio que Marília Navarqui viveu como educadora.  “Educar é ser perto. Não se faz conexão, nem educação, de longe. Ser privada do contato presencial de todos os dias só reafirmou em mim o quanto é importante que estejamos próximos aos nossos jovens”, reflete. 

 Professora “influencer”

 Mas as aulas remotas provocadas pela pandemia da Covid-19 reforçaram o lado influencer de Marília, que é super ativa nas redes sociais. “Naturalmente, os estudantes apresentam uma curiosidade grande pelos gostos e opiniões dos professores. É um período em que as referências são extremamente importantes e, sim, somos influenciadores natos da meninada. Percebi que alunos extremamente tímidos em aula se sentiam à vontade para interagir nas minhas publicações, então me vi diante de uma ferramenta potente para me conectar”, relembra. 

 Assim, o distanciamento acabou levando a outras formas de conexão. Marília passou a usar suas redes também para divulgar e desenvolver atividades pedagógicas. E por lá, recebe retornos como esses: “Você é a professora que mais me passa confiança”; “Você é incrível, muito obrigada por tudo que já fez por nós”; “Nunca mesmo na minha vida pensei que minha professora faria piada com o Palmeiras. Cara, precisamos de professores assim”; “Obrigada por sempre me apoiar e acreditar em mim”.

 “Como o universo deles tem muito do tecnológico e do virtual, esse ponto de encontro acaba fortalecendo nossa relação. O fato de eles se identificarem com minhas publicações e verem seus trabalhos nas minhas redes acaba fazendo com que baixem a guarda e se sintam confiantes na aproximação. Essa cumplicidade faz toda diferença no desenvolvimento social, afetivo e acadêmico”, avalia.

 Aprendizagem mútua

Marília já foi procurada por colegas educadores para compartilhar detalhes da metodologia de algumas atividades, especialmente na área de linguagens. Ela adora quando isso ocorre, já que as trocas sempre levam a insights. “Tudo é uma grande rede de aprendizagem e inspiração mútua”.

 Saiba mais sobre os projetos e atividades desenvolvidos pela professora Marília Navarqui em seu perfil no Instagram @marilianavarqui. Marília também é autora do  ebook Aquarela da Cidadania, em que compartilha experiências transformadoras de educação para democracia implementadas em diversas regiões do país, no programa Missão Pedagógica no Parlamento. A publicação pode ser acessada aqui.

 O poder do coletivo

Os programas de educação para democracia da Câmara dos Deputados também marcaram a trajetória da professora Marília Navarqui. Em 2019, ela participou, com sua turma, do Câmara Mirim. “Foi uma experiência muito incrível pra todo mundo. Pegar um avião para Brasília, desconstruir a ideia de que política é roubalheira, simular todo o processo legislativo, se inteirar sobre a política como ela deve ser, uma via do diálogo, da construção coletiva, foi muito maravilhoso”, lembra.

 Esse trabalho começou em sala de aula, com a discussão dos projetos de lei elaborados pelos deputados e deputadas mirins. Desde então, os jovens passaram a sentir que eram ouvidos, que suas opiniões tinham importância e a política se tornou um assunto atrativo. A mudança também ocorreu para Marilia. “Costumo dizer que as experiências de educação para democracia reverberam. Meu fazer pedagógico ficou muito mais refinado”, analisa.

 Um exemplo desse novo olhar foi uma atividade desenvolvida sobre o livro Bagagem, de Adélia Prado. “Eu delimito algo nas atividades e deixo algumas partes livres. Eles escolhem e sentem que suas escolhas são muito importantes e que podem participar do processo. De certa maneira, o Câmara Mirim e o Missão Pedagógica cunharam uma marca em mim, e todas as minhas práticas hoje passam por isso. Eu sempre penso em como a gente pode construir as coisas juntos”, conta a educadora.

 Ela faz questão de ressaltar o poder da construção coletiva. “Acredito fortemente que a aprendizagem se dá pelas conexões. Por isso, é preciso caminhar ao lado dos estudantes num movimento de aproximação com o universo deles. Quando entro nesse universo, estou dizendo sem palavras que o que ele pensa, do que ele gosta e como ele se sente tem valor, que eu garanto esse espaço”.

 

Fonte: https://plenarinho.leg.br/index.php/2022/04/uma-educadora-conectada/